Ponto de Fusão
Onde todas as artes se encontram.
terça-feira, 8 de maio de 2012
LANÇAMENTO - OS IMPUBLICÁVEIS DE ISA BLUE (e-book)
Hoje é um dia muito mais do que especial. Hoje está indo ao ar a minha primeira obra poética: OS IMPUBLICÁVEIS DE ISA BLUE. Filho de um processo de amadurecimento na poesia e na prosa, já apresenta a marca do meu trabalho: a densidade do texto associada a uma imagem urbana e contemporânea.
Quem conhece este blog ou conhece meu trabalho por contato pessoal, sabe que minha poesia não é distração. E assim é a receita deste livro: altas doses de humor-negro, sarcasmo, ironia em uma profunda crítica social. E também a leveza de um pássaro azul. E também a ressaca do dia seguinte. E também a loucura, e também o espanto. Mas sem nunca recorrer ao que já está batido.
Ferreira Gullar diz que é preciso olhar as coisas sempre com um primeiro olhar.
Te desafio a dar uma primeira olhada nesse livro e cada olhada posterior ainda será uma primeira, porque a poesia é feita dessa matéria mágica, que muda conforme a gente muda.
Você pode adquiri-lo pelo site abaixo:
(certifique-se de estar selecionando a opção e-book)
http://www.agbooks.com.br/book/128487--OS_IMPUBLICAVEIS_DE_ISA_BLUE
e deixe um comentário!
terça-feira, 17 de abril de 2012
Revidando
Mais uma letra que eu comecei a fazer há longos anos e incrementei recentemente. Lembrei de uma letra do Leão Leibovich que diz "Você pra mim é um problema seu, é um problema seu, é um problema seu...". E nem posso dizer que foi inspirada nela porque comecei a fazer essa com uns 19 anos.
Revidar
Eu tenho que deixar de bobeira
Parar de levar tudo na brincadeira
Agora vou mudar meu instinto zen
E parar de coincidir com os bons costumes
Você disse que assim não dá pra ser
Você quer que eu mude ou vou me dar mal
Se acha que eu me importo com você
Vamos ver quem vai rir no final.
Não to nem aí, Não vou me transgredir
só pra não ferir as regras
se eu não revidar vou deixar-me usar
tenho que pegar as rédeas.
Minha cabeça já está cheia de besteiras
O que penso e não digo fica em mim
Eu estou pra explodir, estou lhe dizendo,
precavendo que eu nunca fui assim.
Não acredito mais nas suas mentiras
Não quero mais te ver a me cercar
Se você acha que eu ainda dou a mínima
Paga pra ver quem vai sobrar.
Não to nem aí, Não vou me transgredir
só pra não ferir as regras
se eu não revidar vou deixar-me usar
tenho que pegar as rédeas.
Você disse que assim não dá pra ser
Você quer que eu mude ou vou me dar mal
Se acha que eu me importo com você
Vamos ver quem vai rir no final.
Revidar
Eu tenho que deixar de bobeira
Parar de levar tudo na brincadeira
Agora vou mudar meu instinto zen
E parar de coincidir com os bons costumes
Você disse que assim não dá pra ser
Você quer que eu mude ou vou me dar mal
Se acha que eu me importo com você
Vamos ver quem vai rir no final.
Não to nem aí, Não vou me transgredir
só pra não ferir as regras
se eu não revidar vou deixar-me usar
tenho que pegar as rédeas.
Minha cabeça já está cheia de besteiras
O que penso e não digo fica em mim
Eu estou pra explodir, estou lhe dizendo,
precavendo que eu nunca fui assim.
Não acredito mais nas suas mentiras
Não quero mais te ver a me cercar
Se você acha que eu ainda dou a mínima
Paga pra ver quem vai sobrar.
Não to nem aí, Não vou me transgredir
só pra não ferir as regras
se eu não revidar vou deixar-me usar
tenho que pegar as rédeas.
Você disse que assim não dá pra ser
Você quer que eu mude ou vou me dar mal
Se acha que eu me importo com você
Vamos ver quem vai rir no final.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
OURO DE TOLO
Ainda na onda musical (tem muita letra aqui gisuisss!!!), posto uma que comecei há longos dez anos (pelo menos) e terminei por esses dias.
Ouro de Tolo
Eu desejo que caia na sua cabeça
Uma tonelada de dólares
tijolos de tamanho e peso
nada além de tijolos
Eu desejo que sua vida seja
um poço sem fundo de desejos
E que gaste seus profundos pedidos
com um futuro negro
Você nunca soube viver
E gasta seu sempre tentando
Você nunca sabe o que tem
E perde seu tempo gastando
Eu desejo que caia na sua cabeça
um elefante de ouro
ouro de tamanho e peso
ouro de tolo
Você não tem saída
seu cérebro é carne moída
Afogue-se com suas moedas
seu dinheiro não me interessa
Você nunca soube viver
E gasta seu sempre tentando
Você nunca sabe o que tem
E perde seu tempo gastando
Isa Blue
Ouro de Tolo
Eu desejo que caia na sua cabeça
Uma tonelada de dólares
tijolos de tamanho e peso
nada além de tijolos
Eu desejo que sua vida seja
um poço sem fundo de desejos
E que gaste seus profundos pedidos
com um futuro negro
Você nunca soube viver
E gasta seu sempre tentando
Você nunca sabe o que tem
E perde seu tempo gastando
Eu desejo que caia na sua cabeça
um elefante de ouro
ouro de tamanho e peso
ouro de tolo
Você não tem saída
seu cérebro é carne moída
Afogue-se com suas moedas
seu dinheiro não me interessa
Você nunca soube viver
E gasta seu sempre tentando
Você nunca sabe o que tem
E perde seu tempo gastando
Isa Blue
sexta-feira, 23 de março de 2012
LIBERTAR (rap)
Bem, como eu estou num momento musical, vou postar outra letra, esse é um rap que fiz recentemente falando do amor livre.
Lembrando que "o amor é livre, mas não é grátis." (Isa Blue)
Lembrando que "o amor é livre, mas não é grátis." (Isa Blue)
(A imagem é uma foto do beijaço GLBT que aconteceu em protesto durante a passagem do Papa em Barcelona.)
LIBERTAR
Antes de te conhecer
te disse, eu já te olhava
Bastou você corresponder
e tudo virou mágica
Sua história pra me refazer
numa cortina de fumaça
deixamos a fome crescer
e ser alimentada
Somos vício,
tudo que você quis desde o início
Somos quente,
e não há nada que pare a gente
Somos máquina,
alimentada à fumaça
Eu sei tudo que se passa
não precisa fazer graça
Ah, eu sou vacinada
muito bem esclarecida
Se tô aqui é pra agora
eu não faço fita
e tô inteira
mesmo que seja só de brincadeira
mando a real
pensar no amanhã é besteira
e me faz mal
porque o amanhã nunca se sabe
se a gente vai estar vivo
ou se vai ser muito tarde
eu só preciso saber que eu vivi a vida
e não morri antes do tempo
por não ser 'bem vista'
que se foda
eu quero mais é gozar em paz
e na verdade, quem se importa com o que você faz?
só quem não faz
é, e morre de desgosto
e nenhum de nós precisa de mais um encosto
Então vem,
não perde seu tempo com ninguém
que não te faça se sentir um rei
na selva de pedra
cidade vida caótica, amor é promessa
(2X)
Signo que bate consigo, lua com lua se paga
Estou vivendo um mar de rosas em plena estrada
Sendo levada por esse cio flutuante
Amizade é compromisso e o amor é uma constante
Somos feitos transparentes de pele e de brasa
sangue correndo, eu sinto a vida quando ela passa
A sensação tão intrigante e diferente de cara
Não é paixão, é muito bom pra ser medido em palavras
E não tem regra, não tem tabu, não tem promessa
A brincadeira é livre e entra quem interessa
Caça ou caçado, carrasco ou prisioneiro
quem vive sem coleira não precisa ter medo
Eu alço vôo e vejo tudo muito de cima
a cidade entediante e suas ruas vazias
gente que mente, que brinca, que não tem graça
eu vejo além das pessoas e ouço além das palavras
Gente indecente que não respeita nem a si mesmo
eu vou pensando em amor e nego pensa em dinheiro
e isso me livra e me liberta da humanidade
não tenho jaulas, algemas, ninguém me prende a verdades
Quando eu te vejo eu sinto aquilo tudo de cara
e eu vou pensando que a felicidade é mesmo de graça
E quanto mais se tem, mais se dá e mais se espalha
É a anarquia do sentimento sem amarras.
Então vem,
não perde seu tempo com ninguém
que não te faça se sentir um rei
na selva de pedra
cidade vida caótica, amor é promessa
(2X)
Isa Blue
terça-feira, 20 de março de 2012
O Choro do Sertão
Agora você pode compartilhar essa postagem também nas redes sociais. E também adicionei um contador de visitas ali ao lado. Devagarzinho vamos deixando o blog mais legal. Fique sempre à vontade para sugerir coisas novas.
(pintura "Lavadeiras" de Carybé)
O poema de hoje tem uma história bem-sucedida. Eu tinha emprestado meu caderno para uma amiga copiar a matéria e ela ficou de me devolver outro dia. Então ela estava no ônibus indo para a escola quando sentou um senhor ao lado dela e começaram a conversar sobre poesia. Como todos meus livros e cadernos tinham desenhos e poemas, ela mostrou meu poema para este senhor, que imediatamente pediu para gravá-lo. Era hobby dele declamar poemas e gravá-los em K7. Ela me passou o telefone dele, nos falamos, e ele acabou gravando este poema junto com outros dele e do pai dele e me deu uma cópia da fita. Claro que eu não faço a menor ideia de onde este material se encontra. Mas foi meu primeiro poema que teve algum reconhecimento além de parentes, amigos e professores. Preferi transferi-lo pra cá do mesmo jeito que o escrevi, aos 17 anos.
O CHORO DO SERTÃO
Lágrimas fechadas, zeladas com pesares
As águas amargas do choro dos humildes
Nas costas dos covardes, capitalistas, assassinos!
O caminho do pecado, o rastro de sangue
Das mágoas correndo pela vala de terra
Levando a cada gota a realidade e a dor.
Choro do povo sofrido, do corpo ferido, do pé no chão
Choro da fome que sobressai nos gritos agudos da escuridão
O massacre dos homens de terno contra os de chinelo
Levando a lembrança da comunidade no peito do bem-te-vi amarelo.
Cantando, o riacho desanda, assobia no resto de mata
A mata amarelo-amarronzada, a cor da pele do povo
Lavando a roupa suja e o corpo suado no riacho
O esforço pesado, o martelo, a pá, o sol forte, o calo na mão
O corpo curvado, o reumatismo sem trato, o tuberculoso
O trabalho escravo, semi-escravo, sempre alvo.
Choro dos inocentes, da parte miserável da população
Choro das mães desesperadas vendo seus filhos morrendo de desnutrição
O elo que liga os senhores de capital com o inferno da exploração
Tudo isso que o riacho leva lavando a vida lá no sertão.
Isa Blue
13-08-2003
domingo, 11 de março de 2012
Quero-Quero
Eu quero o que eu quero
O que eu não quero
Eu não TENHO QUE querer
Querer não tem
Desejo não é nosso refém.
Isa Blue
segunda-feira, 5 de março de 2012
Uma noite no metrô...
Eis uma música que fiz e que, por enquanto, só posso mostrar a letra (por falta de recursos de mídia, mas torçam!!!). Voltava do Corujão da Poesia, que aconteceu por um tempo em edição especial no Catete, quando esta letra veio se formando na minha cabeça. Numa questão existencial, talvez causada por excesso de drogas, me vi em outros corpos na volta pra casa e imaginei tantos destinos... Então nomeei essa letra de "A Noite dos Espelhos". Espelhos são objetos mágicos que podem mostrar muito mais além de você, é só pronunciar as palavras mágicas. Eu tenho o estranho costume de parar tudo que estou fazendo e puxar uma agenda da bolsa da Mary Poppins para não esquecer depois, mas atualmente também estou usando o bloco de notas do celular que é muito útil quando não há papel e caneta à mão, o que invariavelmente acontece... Já tentei gravar com o gravador de voz, porém perdi muitos arquivos assim, pois moro no Rio de Janeiro. Quando chegava em casa, não entendia NA-DA do que tinha gravado tamanho o barulho de TU-DO pelas ruas.
A NOITE DOS ESPELHOS
Vim vagando a esmo na cidade perdida
Meu reflexo na poça
becos sem saída
Eu não posso voltar
Não posso voltar...
Trêmulos receios da carne dolorida
Atravessando espelhos
sem sinais de vida
Não posso voltar
Eu não posso voltar...
Por onde vai o longe esquinas me corrompem
Sou o carro sem freio
céu sem horizonte
Nada é fácil demais
Eu não posso voltar...
Gente que se esconde por todos os caminhos
Que me come com os olhos
Todos tão vazios
E cansados de amar
Não posso voltar...
Quais os meios que vão me levar
O vão do metrô
ou o azul do mar
Estilhaços do espelho
Mosaicos do mesmo...
Sou bicho, sou risco, sou vela sem pavio
Os fins não limitam seus meios e os meios dos caminhos
Mas sempre há uma trilha, um trilho, um corte e um trem
E em algum lugar estaremos mesmo sem
Sem braços, sem pernas, sem dor e sem amor
Os cascos de vidro levando o peso de um navio
onde a luz não alcança e não te faz nenhum bem
Os corpos sozinhos perdidos numa noite além
(- Não posso voltar, eu não posso voltar...) - 2x
Noite de espelhos
tão passageiros
mas passageiros
de um mesmo trem...
Isa Blue
A NOITE DOS ESPELHOS
Vim vagando a esmo na cidade perdida
Meu reflexo na poça
becos sem saída
Eu não posso voltar
Não posso voltar...
Trêmulos receios da carne dolorida
Atravessando espelhos
sem sinais de vida
Não posso voltar
Eu não posso voltar...
Por onde vai o longe esquinas me corrompem
Sou o carro sem freio
céu sem horizonte
Nada é fácil demais
Eu não posso voltar...
Gente que se esconde por todos os caminhos
Que me come com os olhos
Todos tão vazios
E cansados de amar
Não posso voltar...
Quais os meios que vão me levar
O vão do metrô
ou o azul do mar
Estilhaços do espelho
Mosaicos do mesmo...
Sou bicho, sou risco, sou vela sem pavio
Os fins não limitam seus meios e os meios dos caminhos
Mas sempre há uma trilha, um trilho, um corte e um trem
E em algum lugar estaremos mesmo sem
Sem braços, sem pernas, sem dor e sem amor
Os cascos de vidro levando o peso de um navio
onde a luz não alcança e não te faz nenhum bem
Os corpos sozinhos perdidos numa noite além
(- Não posso voltar, eu não posso voltar...) - 2x
Noite de espelhos
tão passageiros
mas passageiros
de um mesmo trem...
Isa Blue
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Lagoa Rodrigo de Freitas
um poema leve para ser levado pelo vento.
Tributo à Lagoa
As garças levantaram a manhã
na Lagoa Rodrigo de Freitas
Jogaram pro alto o lençol azul
e de sua boca saiu o Cristo
A capivara que virou lenda
os cisnes que mentiram aos olhos
eram pedalinhos estáticos
tomando banho de sol
O Parcão e o Jóquei
O Patins e a Cruzada
A Catacumba sempre morta
E o Cantagalo sempre morro
Espelhos à vista na Lagoa
misturados ao lodo e o esgoto
E as regatas no Flamengo
O assalto pelo medo
Contrastam com belas mansões
de artistas e milionários
missionários e figurões
onde não cabe o proletário
E é às margens da Lagoa
que os casais namoram
que os peixinhos choram
que os mendigos moram
Que encanta e entristece
todas as canções da bossa
Desde a árvore de natal flutuante
até o assobio do gari torturante
Todos têm as suas histórias,
quando se trata de dizê-las,
de bem-te-vi, se bem ouvi
da Lagoa Rodrigo de Freitas.
Isa Blue
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Onde vai dar?
(Se alguém souber o autor desta pintura, favor informar.)
O Caminho
Onde vai dar essa rua, senhor,
onde não vai carro,
onde não vai ônibus,
onde não vão moscas?
Onde desemboca essa via
onde não há tiros,
onde não há polícia
nem bandidos?
Senhor, por favor, me diga onde dá
essa avenida boa de andar
com o canto dos pássaros
e o farfalhar da música na copa das árvores...
é lá um bom lugar?
tem sorvetes coloridos?
tem bichinhos de pelúcia?
tem praia, sol e morro?
Essa rua de ladrilhos
termina onde? cruza trilhos?
é segura? tem mendigo?
Tem favela? tem abismo?
Não vejo pedras, senhor, onde dá?
Essa rua tem saída?
Essa via tem quebra-molas?
Onde dá esse caminho que eu sigo agora?
E o senhor me responde, com um sorriso:
“Esse caminho leva ao Paraíso!”
Ele próprio se oferece para minha escolta.
Eu me recuso. “Paraíso, é?”, dou meia-volta.
Isa Blue
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Ele Veio
ele veio devagar como se
de tanto vagar
virasse um pensamento
ele veio tão lento como se
uma pluma brincando no vento
ele veio assim leve
assim jovem
assim como quem chove
pingo por pingo
assim como quem dança
balé
no umbigo do infinito
ele veio e trouxe rastros
trouxe rasgos de alegria
e contentamento
e trouxe umas histórias
um mistério
e um segredo
ele veio como um espelho
transparente de se ver
ele veio sem veneno
sem perigo de beber
ele veio tantas vezes
e por tantas vezes ficou
ele veio sem buscar
e em mim se encontrou
ele veio sorrateiro
sem amarras pra prender
ele veio por inteiro
sem vestígios de doer
e por tantas vezes veio
cheio de pérolas na mão
que acabou sendo um alento
a um cansado coração.
Isa Blue
terça-feira, 8 de novembro de 2011
AS COISAS DO AMOR
A noite tem cheiro de azul
e eu aqui tentando
fazer aparecer um arco-íris
mas ainda chove
uma chuvinha rala e sem sal
como se feita de madrugadas
Se existe algum lugar
onde eu possa me sentir
feliz no ninho
são os seus braços
que agora estão longes
e eu me abraço sozinho
Tentando compreender
a dinâmica da vida
das idas e vindas
A lógica do amor
mas perco tempo:
amar é não saber
E no escuro dessa noite eterna
só me confortam teus olhos
que sabem das coisas da terra
e podem me guiar tranquilamente
,cegamente,
pela selva que eu escolher
Eu não sei falar das coisas do amor
com o niilismo que o amor me deu
sem explicar o vento
porque o amor não é forma
não é coisa, não é invento;
eu só sei falar do não-amor.
Isa Blue
domingo, 23 de outubro de 2011
DESEJO
Quero que o céu me abrace
que eu me perca
e não volte
Que a vida me abra suas portas
e seus segredos
nas linhas tortas
Quero um sorriso que caiba
uma alegria
por mais passageira que seja
Que o tempo seja infinito
para as coisas que eu sinto
sentir de outras maneiras
Quero o tudo e o nada absoluto
Quero o amor bem perto
e a paixão bem longe
Quero aprender a razão do mundo
que o sentido eu já sei
onde se esconde
Quero um sonho leve e claro
que dê pra levar numa mão
Que o amor não seja raro
e que nunca seja em vão
Quero uma diversão constante
uma sensação surpresa
um soluço conciso
uma solução depressa
Quero uma manhã que me aqueça
uma chuva que me livre
e um coração que esqueça...
Isa Blue
sábado, 3 de setembro de 2011
Massa de Modelar
Falo o que não faço, faço e não posso falar. Quero o que não posso e quero muito mesmo. Tudo o que não digo já foi dito. Tudo que esqueço é porque não devo. Tenho muitos nomes, muita gente dentro de mim. Num dia sou oito no outro, oitocentos. Não gosto do tempo, quero ser tudo agora. Sou mais sincera quando não falo.
Está em mim a dúvida, o espanto, a surpresa. Nada é previsível quando não é racional. Não explico para ser entendida. Sou o que você precisa que eu seja.
Meu olhar dobra na esquina quando está em ponto de fumaça. Não vejo o que olho, mas o que espero ver. O que acho certo é o que tento achar. Sou o que acredito ser.
Isa Blue
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Dando Bandeira...
Outro dia estava aqui numa bronca do mundo e pensei: "Vou pegar Manuel Bandeira e ele me dará uma resposta!". Abri numa página a esmo e lá estava:
A VIDA ASSIM NOS AFEIÇOA
Se fôsse dor tudo na vida,
Seria a morte o grande bem.
Libertadora apetecida,
A alma dir-lhe-ia, ansiosa: - "Vem!
"Quer para a bem-aventurança
"Leves de um mundo espiritual
"A minha essência, onde a esperança
"Pôs o seu hálito vital;
"Quer, no mistério que te esconde
"Tu sejas, tão-somente, o fim:
"- Olvido imperturbável, onde
"Não restará nada de mim!"
Mas há horas que marcam fundo...
Feitas, em cada um de nós,
De eternidades de segundo,
Cuja saudade extingue a voz.
Ao nosso ouvido, embaladora,
A ama de todos os mortais,
A esperança prometedora,
Segreda coisas irreais.
E a vida vai tecendo laços
Quase impossíveis de romper:
Tudo o que amamos são pedaços
Vivos do nosso próprio ser.
A vida assim nos afeiçoa,
Prende, Antes fôsse toda fel!
Que ao se mostrar às vezes boa,
Ela requinta em ser cruel...
Manuel Bandeira.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
VIOLÊNCIA E ARTE - BOCA DE LEÃO
vídeo gravado no Rio Rock 'n Blues em 25 de Novembro de 2010.
BOCA DE LEÃO ! Ducaraaaaaaleo !!!
BOCA DE LEÃO ! Ducaraaaaaaleo !!!
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Me diga, Por que estou triste?
Me diga por que estou triste?
será por que eu quis uma felicidade diferente
ou será essa a felicidade diferente
que quis pra mim
e que chamo tristeza?
Por que estou triste?
Talvez eu saiba e não queira acreditar
Ou talvez você saiba e saiba que eu sei
e ache que não é preciso mais me contar
Por que estou triste
não é problema meu, seu e de ninguém
Não me fale que estou triste por você
que nem só você é você só.
Estou triste porque você é só um
menos quando estamos em nós
e somos todos um só
tão nossos, tão ossos, tão sós.
Isa Blue.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
A Língua do Corpo
Não adianta negar
que fiquei sonhando
sem sono
que fiquei brincando no escuro
com as sombras da vela
derretendo as paredes
que fiquei querendo
voltar no tempo
que debaixo do cobertor
tinha uma língua de fogo
e dentro do meu amor
tinha uma outra linguagem
que o corpo quer falar
e o coração ouvir
que o cheiro do incêndio
é incenso ou insensato
e que tinha o seu retrato
em cada toque que não vi
mas não nego
porque o amor é cego
mas cheira, ouve, lambe
e sente muito bem.
Isa Blue.
domingo, 12 de junho de 2011
em eclipse
Se estou sentindo frio
é o vento lá fora
Porque eu me encontro assim
sem casaco, sem roupas,
só poucas
coisas
me vestem
Meu coração está aquecido
e leve in love
Me leve mas não me deixe
Me forte
Me furte
os sentidos
E antes que me esqueça
Fique por perto
Fique sempre por perto!
Não me perca
Porque eu não quero
que isso aconteça
Eu peço um pouso impossível
que possa parecer sincero
Mas não se espante
As retas
às vezes são um pouco tortas
mas não me importa
eu tenho portas
a serem abertas
E tenho rezas
guardadas no fundo da gaveta de minha avó
que vão nos salvando
Pois somos imbatíveis
imperdíveis
intransferíveis
e inefáveis
Porque o amor
é tudo que possa
que passa
que roça
o amor não é só o sol
é também a lua
e a lua
é toda nossa.
Isa Blue
domingo, 15 de maio de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Céu da Boca
"Não há nada mais gostoso
que dançar balé com a língua
no palco da sua boca.
O limite é o céu."
Isa Blue
domingo, 10 de abril de 2011
RELANÇAMENTO ZONA SUL DA BANDA BOCA DE LEÃO
sábado, 12 de março de 2011
terça-feira, 1 de março de 2011
Meu cãozinho Nabunda
Quem nunca ouviu a piadinha do cachorro Nabunda? Essa é histórica e achei esses dias nas gavetas.
Meu cãozinho Nabunda
(Isa Blue)
Nabunda é legal!
Nabunda é meu cachorro!
toda vez que eu saio eu tenho que levar Nabunda.
(Nabunda é demais!)
Nabunda, um vira-latas,
não larga o seu osso.
Toda vez que eu saio eu tenho que levar Nabunda com seu osso.
(Nabunda com seu osso!)
Nabunda é meu amigo,
muito forte,
e tem um focinho comprido...
(É, Nabunda.)
Mas num dia muito triste
fui passear de barco,
o barco resolveu de afundar
e Nabunda o que é que eu faço?
(Nabunda, o que é que eu faço?)
Deixo Nabunda,
Levo Nabunda?
Será que Nabunda bóia?
Eu quaaase me esqueci que Nabunda nada.
(Ahhhh Nabunda nada!)
Nabunda tem duas bolas de quicar
e um pedaço de pau
que ele gosta de enterrar...
(É, Nabunda.)
Meu cãozinho Nabunda
(Isa Blue)
Nabunda é legal!
Nabunda é meu cachorro!
toda vez que eu saio eu tenho que levar Nabunda.
(Nabunda é demais!)
Nabunda, um vira-latas,
não larga o seu osso.
Toda vez que eu saio eu tenho que levar Nabunda com seu osso.
(Nabunda com seu osso!)
Nabunda é meu amigo,
muito forte,
e tem um focinho comprido...
(É, Nabunda.)
Mas num dia muito triste
fui passear de barco,
o barco resolveu de afundar
e Nabunda o que é que eu faço?
(Nabunda, o que é que eu faço?)
Deixo Nabunda,
Levo Nabunda?
Será que Nabunda bóia?
Eu quaaase me esqueci que Nabunda nada.
(Ahhhh Nabunda nada!)
Nabunda tem duas bolas de quicar
e um pedaço de pau
que ele gosta de enterrar...
(É, Nabunda.)
sábado, 22 de janeiro de 2011
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
ODE à Cerveja
ODE à cerveja
Todo mundo tem
uma desculpa pra beber
uma queixa do garçon
uma história de bar
e, aparentemente,
todo mundo tem
um motivo subliminar:
a patroa foi embora,
fugiu com seu melhor amigo,
levou as crianças,
deixou as contas,
seu chefe te odeia,
o vizinho te processa,
pra arrumar namorado
nem fazendo promessa,
tá devendo a deus e ao mundo,
e, por sinal, vai pagar fiado
ou quem sabe o dono do bar te interessa?
seu filho disse que é viado!?
sei lá, mil coisas...
cabeça cheia, vida vazia,
bebe pra tomar coragem
de paquerar aquela menina,
tá sem emprego,
tá sem perspectiva,
todos os bêbados
têm uma visão 'meio torta' da vida...
Esquece!
Eu bebo porque eu gosto!
E nada no mundo
me faz tão feliz
quanto ter o meu copo
rodeado por copos amigos,
meu sorriso embriagado
fica mais bonito,
as piadas, hilariantes
as pessoas, sociáveis e interessantes.
Distribuo passos dançantes
em espaços incalculáveis.
Qualquer um fica mais atraente.
A cerveja aproxima a gente!
Na falta de um amor,
um compromisso
ou um bom filme na televisão,
ter um bar ao lado de casa
é a salvação!
Por isso, parem com a hipocrisia!
Blasfemando contra a cerveja;
câncer disso, doença daquilo...
Ora, veja:
cerveja emagrece pois mata a fome,
tem menos calorias que um iogurte,
é feita de cevada, então é natural
(quase uma barrinha de cereais!)
mais saudável que um copo d'água
pois não contém coliformes fecais...
Me tome por exemplo;
eu bebo e não tenho nada!
tem gente que não bebe e está morrendo.
Cerveja não faz mal,
o que faz mal é a ressaca.
Por isso é aconselhável que se beba todos os dias,
porque muito sangue no seu álcool
às vezes irrita.
E você nem precisa dizer
que bebe só porque gosta
Arrume uma desculpa
e se junte à nossa roda!
Isa Blue, sempre no bar mais próximo de você!
domingo, 19 de dezembro de 2010
Tragédia Romântica
Pra não me lembrar que existe algo a mais, esqueci quem sou, esqueci minhas dores, meus sonhos, meus amores. Deixei pra trás os projetos nas gavetas. Eu me fechei, me tranquei no quarto e esperei essa tal de cura pelo esquecimento. Pelo escurecimento. Memórias não tenho.
Pra não lembrar que existe algo profundo, parei de ver filmes com histórias de amor, e de me cobrar finais felizes. Parei de acompanhar novela das oito, das sete, das seis, das quatro. E só não larguei os livros, porque era fácil virar a página.
Pra não lembrar que existe algo antigo pulsando, com cheiro de contos-de-fadas, tão mofados, numa espécie de infância da alma, varri pra debaixo do tapete as farpas das flechas, os estilhaços do espelho, meus cacos em mosaico. Falhas, fatos, farrapos. Esqueci os detalhes, apaguei os vestígios. Guardei todos os mortos no fundo do armário.
Matei meus amores, minhas mágoas, meus votos. Pedi o divórcio e acabou.
Enterrei meu coração e escrevi um epitáfio:
Aqui jaz quem nunca soube - e por isso nunca esqueceu - o que era o amor.
Isa Blue.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
O caminho da pedra
On The Rocks
Esse não é o tipo de pedra
que se vê com um olhar
olhe mais de perto
pode ser jabuti
ovo de passarinho
cocô de bicho
ou um ponto
no meio da frase.
Esse é o tipo de pedra
pra se cheirar
pegar na mão
dixavar atrás de semente
grão de areia que diga
quantos anos tem a pedra
levar à boca
ver se derrete.
Esse é o tipo de pedra
que emerge do caminho
apontando os meios
e as meias sujas de terra
o mundo mexe com ela
o mundo muda e ela
muda
se quebra se cresce
e vira parte de tudo
como tudo que morre
e se comove
como tudo que vive.
Essa pedra que é só uma pedra
que sonha
poderia ser eu ou você
se a evolução quisesse
se a gente soubesse
se evoluir apra pedra
até não saber mais
o que
onde
e todas as perguntas irritantes
que as pedras não se fazem
elas mudam
mudas
e jazem.
Blue, a colecionadora de pedras.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Sobre Janelas E Coisas Que Servem Pra Gente Suspirar...
No Cabaré da Poesia - CATETE
(Evento produzido por Cairo e Denizis Trindade. Gravado por Daniel Trindade.)
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Queria ser um poeta...
Queria ser um poeta do século passado
Queria escrever um poema brega
falando das árvores, das flores
falando do vento, das cores
da manhã e de tudo que eu não vejo nesse momento
Queria um poema cego
surdo, mudo, careta
Um poema sentado num banquinho
olhando a praia de Copacabana
Queria nesse momento escrever sobre o mundo
O mundo que não me vê
O mundo que não entende
por que eu não posso escrever
Queria rimar amor com dor, ar com ar
seguir a técnica, fazer um soneto
usar palavras difíceis pra encher linguiça
e me esquecer ao que vim
Queria ser um velho poeta caído do século passado
empoeirado numa estante sendo comida de cupim
tocar meu violão dizendo paz&amor
ouvir quê dizem as rosas do jardim
Queria por um instante dizer nada com nada
não escrever poemas, apenas jogar palavras
chamar poema de poesia, se fingir de alienado
procurar uma rima sem contexto, sem pecados
Queria ser um poeta chato, maçante, intelectualóide
Que entrou pra academia e se mumificou naquela poltrona
e nunca levantou a voz pra ler um poema
e nunca gritou pelas ruas de madrugada
Que nunca amou com exagero e intensidade
que nunca chutou uma lixeira por revolta
Que nunca bebeu uma cerveja no gargalo
que nunca fumou chá de saquinho pra ver se dava onda
Que nunca sentiu o poder de conversar com Iemanjá no meio das ondas
que nunca fez uma garrafa de poesia e jogou ao mar
Que nunca soube o que era arte
que nunca fez nada visceral além de cagar
Que nunca escreveu um palavrão que nem mesmo ousou falar
que nunca se perguntou se devia continuar
Que nunca quis se matar
que nunca saberá da minha existência
que se souber, vai se incomodar
Queria eu ser um poeta de merda dizendo mentiras
fingindo que a vida é bela só pra variar
Dizendo que estes revolucionários não sabem o que é arte
dizendo que a poesia morreu no século passado
Mas não sei por que diabos eu gosto de ser jovem
Ainda que estes anos me acordem dia após dia
Eu me conformo em ser um destes revolucionários
que não sabem fazer poesia!
Isa Blue
Ele tinha uma alegria inteira que pulsava dentro
e explodia por todos os poros
Uma agitação, uma inquietação de sorrisos
e me mostrou que não se deve ter medo
de cair e nunca mais levantar
porque a gente já sabia voar
Era que a gente tinha uma chave mágica
pra lidar com essas coisas da vida
Era só a gente sorrir pra noite
que enchia as ruas de poesia
Ele tinha uma alegria inteira que completava a minha
e me ensinou que a vida é simples quando a gente deixa ela sorrir.
e explodia por todos os poros
Uma agitação, uma inquietação de sorrisos
e me mostrou que não se deve ter medo
de cair e nunca mais levantar
porque a gente já sabia voar
Era que a gente tinha uma chave mágica
pra lidar com essas coisas da vida
Era só a gente sorrir pra noite
que enchia as ruas de poesia
Ele tinha uma alegria inteira que completava a minha
e me ensinou que a vida é simples quando a gente deixa ela sorrir.
Isa Blue (a um pássaro secreto)
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